Wild Wild Country: Um pensamento de liberdade diante de um país selvagem

De Matheus Araújo, publicado em 21 de junho de 2019

Wild Wild Country: Bhagwan Shree Rajneesh, lider religioso

Bhagwan Shree Rajneesh. Foto: Divulgação

Você é só mais um indivíduo que vive na miséria de um país racista e desigual, quase tudo a sua volta é caos, pessoas morrendo de desnutrição, vivendo em situações praticamente inimagináveis diante do mundo “civilizado”, mas, pelo menos, você não é um completo miserável. Tem o privilégio de ter o que comer e ainda um pouco de tempo para investir em investigações sobre a verdade da vida. Você se senta um pouco e começa a imaginar um mundo perfeito, onde todos têm liberdade de ser quem são e vivem em harmonia uns com os outros, agora o desafio é tornar isto realidade.

Suas ideias de liberdade começam a magnetizar seguidores, pessoas que não necessariamente vivem as mesmas condições miseráveis que seu povo, mas querem fugir da realidade robótica do capitalismo. Cada vez mais e mais humanos começam a te ouvir, e a habitarem no mundo de vegetação verde e céu azul que você criou no meio do caos. Mas não existe mais espaço, seus vizinhos parecem não estar mais gostando de você, e percebe que está na hora de fugir para um lugar onde tenha liberdade para imaginar seu mundo perfeito. A liberdade do novo mundo é sem sombra de dúvidas a melhor opção e você sai correndo para lá.

Seus seguidores têm recursos de sobra para criar em poucos meses seu mundo perfeito, e felizmente tudo é concretizado como o desejado. Agora você tem no meio de um deserto uma reconstituição do paraíso, uma cidade perfeita com lojas de roupas (mesmo que as opções de cores fossem meio que limitadas), grandes salões para realizar seus ensinamentos, casas perfeitas, plantações, basicamente tudo o que você precisava está a sua disposição. Parecia tudo perfeito, até que você percebe que tem vizinhos.

Wild Wild Country: Sheela e Bhagwan

Sheela ao lado de Bhagwan

O que descrevi não é exatamente o pensamento de uma única pessoa, mas, pelo menos, é o que penso resumir o que originou a história (ou estória, não sei qual o melhor termo) contada na série documental da Netflix, Wild Wild Country. Os episódios não contam exatamente a visão de Bhagwan Shree Rajneesh sobre o mundo que imaginava, também não conta a visão dos fiéis seguidores de seu pensamento, mas do sonho e das vontades de uma outra pessoa. Ma Anand Sheela, foi uma das pessoas que Bhagwan mais confiou durante sua vida, foi sua secretária pessoal, e certamente Sheela foi aquela que mais defendeu as ideias do mundo perfeito de Bhagwan, o problema está exatamente em como ela defendeu e isso a tornou protagonista dessa obra de recordação.

Não cometa o erro de ver Wild Wild Country acreditando que alguém está certo ou errado, até por que todos estão certos e errados ao mesmo tempo, procure estar sempre longe de preconceitos ao ver cada um dos 6 episódios dessa obra rara da Netflix. Existem muitas reviravoltas, e sempre tem algo que você não entendeu direito.

Esse foi mais um Manifesto, se encontrou algum erro, por favor comunique aqui.

Mais sobre:

Matheus Araújo

Amante do cinema de animação é estudante de História da UNEAL. Mantém a 5 anos o Mamfonline no ar.

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