Brasil pode ter até 9 vezes mais casos de Coronavírus do que é detectado

De Matheus Araújo, publicado em 24 de março de 2020

Segundo uma pesquisa divulgada pela London School of Tropical Medicine, os casos identificados pelo sistema de saúde brasileiro refletem apenas 11% do número real.

Coronavírus

Imagem ilustrativa. (Foto: Gerd Altmann – Pixabay)

Nem todos os casos de COVID-19, a doença causada pelo Coronavírus, são detectados pelo atual sistema adotado pelo Brasil na testagem de pacientes. Segundo uma pesquisa divulgada no dia 22 de março e atualizado no dia 23 pela London School of Tropical Medicine (LSHTM), uma respeitada instituição sobre os estudos de medicina tropical do Reio Unido, os casos identificados pelo sistema de saúde brasileiro refletem apenas 11% do número real. Os dados indicam que os números reais podem chegar a serem 9 vezes maiores que o divulgado.

O estudo divulgado pelo Centre for the Mathematical Modelling of Infectious Diseases, departamento da instituição, foi analisado pelo epidemiologista Roberto Medronho da Universidade Federal do Rio, a pedido do Estadão, segundo ele, “Dentre os casos que apresentam sintomas, apenas uma parte procura o sistema de saúde“. Além disso, boa parte dos casos são assintomáticos, e por não apresentarem indícios fortes da doença acabam não sendo diagnosticados.

No Brasil, o sistema de saúde está fazendo a testagem somente daqueles que procuram o sistema de saúde, segundo a OMS o ideal seria a testagem em massa da população. No mesmo estudo, países como a Coreia do Sul e Alemanha, que fizeram testagem em massa, apresentam 83% e 69% respectivamente de casos diagnosticados, o que permite que os números dos casos desconhecidos seja bem menor. Na China, o foco da pandemia, estima-se que 33% dos casos foram diagnosticados segundo o estudo.

Itália e Espanha estão em situações bem piores que o Brasil nesse quesito, onde apenas 4,7% dos casos italianos foram diagnosticados e 5,1% dos espanhóis, esses dois países estão no meio de uma pandemia que já reflete no sistema de saúde. O problema da testagem em massa no Brasil, ao contrario do que acontece em outros países, é que a extensão territorial nacional dificulta o acesso dos kits de testagem, além é claro de não existirem kits suficientes para abranger todos os mais de 200 milhões de brasileiros (peno menos, até o momento).

É importante informar que o estudo da LSHTM ainda não foi publicado em revistas científicas, dessa forma ainda não foi analisado a fundo por especialistas, mas esse é um procedimento aceitável em um momento de pandemia, onde busca-se rapidez na divulgação de informações.

Acesse os dados do estudo da LSHTM, ou a matéria completa do estadão. É importante destacar que os dados foram atualizados pelo estudo e dispostos corretamente aqui, portanto alguns números podem estar incorretos na matéria do Estadão.

Para mais informações sobre a pandemia do Coronavírus, acesse nosso editorial.

Matheus Araújo

Amante do cinema de animação é estudante de História da UNEAL. Mantém a 5 anos o Mamfonline no ar.

Loja

Teste o Kindle Unlimited gratis por 30 dias

Tenha acesso ilimitado a milhares de eBooks para ler à vontade!