Juan Padrón, pai da animação Cubana, morre aos 73 anos

De Matheus Araújo, publicado em 31 de março de 2020

Elpidio Valdés e Juan Padrón

Juan Padrón ao lado de seu icônico personagem  Elpidio Valdés.

Morreu no dia 24 de março, após ficar internado devido doenças respiratórias por cerca de duas semanas, o animador que sem sombra de dúvidas é responsável pelo desenvolvimento da indústria de animação no país. Mesmo que os sintomas sejam semelhantes, as especulações que Padrón morreu devido infecção com o coronavírus são inverossímeis, já que seu teste deu negativo para COVID-19.

Padrón criou personagens que ainda hoje permeiam o imaginário popular do país, o animador teve uma influencia em Cuba semelhante a Walt Disney nos EUA. Nasceu em 29 de janeiro de 1947, na província de Matanzas, começou sua carreira como animador na TV estatal cubana em 1963. Trabalhou com Harry Reade, um australiano que se mudara para a ilha, atraído por ideias revolucionárias, juntos realizaram o curta “Viva Pepi!”, de 1963 e refeito em 1982.

“Ele me ensinou muito sobre roteiro e a necessidade de trabalhar duro para melhorar meus desenhos; estudar romances e filmes clássicos; também aprendendo a cultura de fazer as coisas com as mãos; aprender com os agricultores e pessoas mais pobres; aprender a chamar árvores por seus nome” dizia Padrón sobre seu parceiro Reade.

Trabalhou por um tempo na seção de filmes do exercito cubano. Nesse meio tempo se destacava também como cartunista, desenhando tiras para várias publicações cubanas. Muitos de seus filmes posteriores foram amplamente divulgados na América Latina e na União Soviética. Nos anos 70, lançou uma de suas criações mais famosas, o combatente revolucionário Elpidio Valdés, que lutava contra os colonos espanhóis no século XIX. O personagem foi um sucesso entre os leitores cubanos, e ilustrou diversos curtas e tirinhas de Padrón.

O governo cubano investia fortemente no cinema de animação como forma de entretenimento familiar, por meio do ICAIC (Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica), por muitos anos diversos curtas e longas do animador cubano foram as telas, muitos com a participação de seu personagem mais famoso, Elpidio Valdés. A partir da década de 70, produziu cerca de 30 curtas-metragens e 3 longas, sendo o filme de Elpidio de 1979 o primeiro longa de animação do país. “Se estou fazendo [um filme] sobre uma época passada, gostaria que fosse fiel à vida” disse ele. O animador costumava basear seus filmes com fatos históricos e com o cotidiano da vida em Cuba.

Outro sucesso veio em 1985, no filme “¡Vampiros en La Habana!”, que conta a história de um professor que desenvolve uma poção para proteger os vampiros  contra o sol, mas descobrem que um grupo criminoso com membros nos EUA e na Europa querem roubar a descoberta. Duas décadas depois Padrón dirigiu uma sequencia para o longa, intitulada “Mas Vampiros en La Habana”.

Produziu uma série de curtas animados intitulados “Quinoscopios”, em homenagem ao cartunista argentino Joaquín “Quino” Lavado. Além de um show de longa duração, o “Filminutos”, que consistia numa série de vinhetas de um minuto, com um tom mais adulto para suas produções. A indústria cinematográfica cubana sofreu com o colapso da União Soviética, e a partir dos anos 90, Padrón diminuiu sua produção, dirigindo ocasionalmente filmes, muitos para produtoras estrangeiras.

Permaneceu durante sua vida sendo um professor ativo, e uma figura importante para as artes em Cuba. Nos últimos anos esteve trabalhando para estabelecer a La Manigua, um centro em Havana especializado em promover sua arte e a cultura cubana em geral.

O site Cartoon Brew apresentou alguns depoimentos de artistas de várias partes do mundo, e principalmente da América latina lamentando a morte do animador. Confira a matéria do site: Juan Padrón, Cuban Animation Legend, Dies At 73.

Matheus Araújo

Amante do cinema de animação é estudante de História da UNEAL. Mantém a 5 anos o Mamfonline no ar.

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